Não é fácil fazer com que a galera que lê o blog escreva seus comentários aqui para que todos os outros leitores compartilhem das informações que me passam. Confesso que isso me frustra um pouco, mas entendo que alguns não tenham a mesma facilidade de escrever que outros têm.
Hoje decidi expor aqui a minha opinião sobre a transição dos tenistas do juvenil para o profissional e sei que isso vai render muito "pano pra manga". É um assunto complexo, cada um tem a sua opinão e uma forma de pensar, mas a grande maioria com certeza vai discordar da minha maneira de pensar e ver essa fase tão complicada chamada transição.

Antes de começar a escrever sobre o assunto, quero deixar claro que a minha opinião é de leigo. Não sou treinador, não sou 1ª classe, nem tampouco fui profissinal, mas trabalhando com juvenis há algum tempo posso dizer que tenho motivos de sobra para acreditar que a pior transição é a de 14 para 16 e não a de 18 para o profissional. A transição de juvenil para profissional é mais dolorosa, é a que mais conta com os abandonos de carreira, mas a mais complicada é a transição anterior. Digo isso porque os tenistas que chegam aos 18 anos jogando torneios e treinando forte já têm a certeza do que querem, que querem ser profissionais. Já a garotada, apesar de dizerem o contrário, têm muitas dúvidas disso, de que querem realmente levar o tênis como modo de vida.
A Paralella conta hoje com 25 tenistas juvenis agenciados, a grande maioria com faixa etária entre 14 e 17 anos. Nos dois últimos meses foram os 4 agenciados que vieram conversar comigo com dúvidas sobre a continuidade da carreira. Todos esses tenistas estão disputando seu primeiro ano na categoria 16, ou seja, até o ano passado tinham uma vida mais fácil nos torneios nacionais.
Conversando com alguns experientes treinadores, eles me disseram que até os 14 anos, a garotada ainda consegue reverter uma situção incômoda durante uma partida com os famosos e temidos "balões", mas que quando sobem de categoria essa defesa já não tem o mesmo efeito. Para se sair bem nos torneios da categoria 16 anos, não basta apenas ter regularidade, é preciso saber atacar e com eficiência.
Por isso penso que, é na transição dos 14 para os 16 anos que os verdadeiros talentos começam a despontar. É nessa fase que os "baloeiros" começam a despencar no ranking e aqueles que têm no mínimo um golpe "matador", que sabem se defender, mas que também sabem atacar com eficiência começam a conquistar os resultados mais expressivos. Claro que existem aqueles tenistas "baloeiros" com 18 anos que conseguem "beliscar" um ou outro pontinho nos torneios, mas essa é uma outra história que podemos comentar depois.

Os problemas e reclamações apresentados pelos agenciados na fase dos 14 e 15 anos são os mesmos. Eles treinam bem e os resultados não aparecem, muitos deles piram ao ver um outro tenista que costumavam derrotar com facilidade, chegando às finais e vencendo os torneios. A maioria dos problemas aparecem sempre após um torneio nacional, quando eles vão para a quadra achando que será como no ano anterior: "me defendo, mantenho a regularidade e no final tudo dá certo!". Mas, o que acontece é o contrário!
Quando as derrotas começam a aparecer, as dúvidas surgem junto com elas. "Será que não devo trocar de treinador, clube ou academia? E se eu voltasse com meu antigo treinador que me fazia ganhar tudo com 12 anos? Será que vale a pena eu ficar sem sair, ir pra baladas com meus amigos, não namorar e chegar nos torneios e sempre perder?". Foi isso que ouvi de todos os atletas que "piraram" quando as derrotas começaram a aparecer com mais freqüência.

Um tenista parou de treinar, deixou de participar de torneios importantes que ele já tinha agendado, inclusive alguns Cosats. Outro, queria por toda a lei voltar a treinar com o antigo treinador. Teve também aquele que falou que não sentia mais prazer em jogar, que pensava em ficar uns meses só treinando, para entrar em quadra com mais vontade e teve também um garoto que decidiu abandonar de vez tudo e partir pras baladas. Com todos eles eu conversei bastante e pude sentir que a causa das dúvidas eram exatamente as mesmas: nenhum deles assimilava bem o fato de estarem perdendo jogos que antes ganhavam com facilidade. Ou seja, não estavam sabendo lidar com a derrota.
E como resolver essa situação? Como evitar que os juvenis passem por essa fase com mais tranquilidade, menos stress e sofrimento?
Com planejamento, muita conversa e orientação por parte dos treinadores, familiares, amigos e até dos outros tenistas mais velhos que já passaram por isso. O planejamento pode ser feito pelo próprio treinador, mesclando torneios mais difíceis com alguns de menor expressão, os famosos torneios para se ganhar "confiança". Os familiares devem evitar cobranças e comentários do tipo: "Mas, meu filho.. Você perdeu pro Fulano de quem ganhava sempre?". É importante também que os pais conversem com seus filhos antes dessa transição, explicando que a categoria é mais difícil, que os resultados agora (1º ano de 16) não importam tanto, que agora é importante que joguem bem e adquiram experiência para os próximos anos. Os tenistas mais "velhos", que já passaram por isso podem dar conselhos, contar como passaram por essa fase e explicar que também tiveram que engolir derrotas horríveis.
Se a primeira transição for feita com coerência e se bem planejada e preparada pelos treinadores, pais e até mesmo pelos próprios atletas, a transição para o profissionalismo se torna tarefa mais "fácil" quando tiverem 17 ou 18 anos.
Agora quero saber a opinião de vocês leitores, tenistas, pais, treinadores... Concordam comigo que essa transição é a mais complicada na carreira de um tenista juvenil???
Game, set and match...
Abraços
Claudio